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O caso Zoom e o nome trocado

Por Knewin AI · · 6 min de leitura

Em março de 2020, com os escritórios fechados pela pandemia, as reuniões passaram para o Zoom. Na bolsa americana, quem subiu junto foi outra empresa: a Zoom Technologies, de código ZOOM, sem relação nenhuma com o aplicativo. Até 25 de março, as ações dela tinham subido quase 900% no ano.

Naquele 25 de março, a SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, mandou suspender a negociação a partir do dia seguinte. Um dos motivos foi o receio de que investidores estivessem confundindo a empresa com outra, de nome parecido, listada na Nasdaq. A dona do aplicativo, a Zoom Video Communications, negociava com o código ZM. Para quem cuida de marca, o mesmo engano aparece de outro jeito: a matéria sobre outra empresa com o mesmo nome que entra na cobertura.

Duas Zoom na bolsa

A Zoom Technologies era registrada em Delaware, negociada no mercado de balcão, e em 2014 declarou ter sede em Pequim. Desde 2015, não publicava nada: o último relatório anual saiu em 2014, e em novembro de 2015 a empresa cancelou o registro na SEC.

A Zoom Video Communications estreou na Nasdaq em abril de 2019, com o código ZM. O código da empresa errada era o nome do aplicativo: ZOOM.

Na bolsa, em 2020caso real
  • procuravam o aplicativo Zoom
  • compraram a ZOOM, de outra empresa
  • a SEC suspendeu a negociação

O dinheiro foi para a empresa errada.

Na cobertura de uma marcaexemplo
  • a busca procura o nome da marca
  • traz a matéria de outra empresa com o mesmo nome
  • a contagem e o saldo mudam

A matéria entra na conta da marca errada.

O primeiro cartão é o caso de 2020, com as fontes no fim do artigo. O segundo é o mesmo engano numa busca de matérias, em exemplo ilustrativo.

A alta foi parar na empresa errada

Com a pandemia, o aplicativo virou rotina, e a ação de quem tinha o nome subiu junto. Segundo a CNBC, a Zoom Technologies subiu mais de 50% em março e quase 900% em 2020, até a suspensão. A Bloomberg contou que ela mais que triplicou em cinco semanas, enquanto a Zoom Video subia mais de 30% no mesmo período.

Em 20 de março, a FINRA, que fiscaliza as corretoras americanas, já as tinha alertado para a confusão entre a ZM e duas ações de balcão de nome parecido: a ZOOM e a da Zoom Telephonics.

A SEC suspendeu a negociação por dez dias úteis

A ordem da SEC, de 25 de março de 2020, suspendeu a negociação das 9h30 do dia 26 até as 23h59 de 8 de abril, no horário de Nova York. São dez dias úteis, o máximo que a lei americana permite para esse tipo de suspensão. A ordem deu dois motivos: a falta de qualquer informação pública da empresa desde 2015 e o receio da confusão com a outra empresa, que ela não cita pelo nome.

No dia 26, o escritório da SEC em Nova York escreveu no Twitter que a Zoom Technologies, de código ZOOM, não era a conhecida empresa de videoconferência de nome parecido.

O código ZOOM virou ZTNO

Quando a suspensão terminou, a FINRA parou a negociação de novo, em 9 de abril, pelo mesmo mal-entendido, e trocou o código de ZOOM para ZTNO. As ações voltaram ao pregão em 14 de abril de 2020, com o código novo.

Não foi a primeira vez

Em 18 de abril de 2019, dia da estreia da Zoom Video, a ação da Zoom Technologies subiu mais de 80% nas duas primeiras horas e fechou em alta de 10,2%, segundo a CNBC. A Zoom Video terminou o dia a US$ 62, 72% acima dos US$ 36 da oferta.

O engano também aconteceu com outros nomes. Em outubro de 2013, o Twitter tornou público o pedido para abrir o capital com o código TWTR. No dia seguinte, a ação da Tweeter, uma varejista de eletrônicos falida negociada como TWTRQ, foi de menos de 1 centavo a 15 centavos, até a FINRA parar a negociação. Em janeiro de 2021, depois de Elon Musk escrever "Use Signal" sobre o aplicativo de mensagens, a ação da Signal Advance, uma pequena empresa do Texas sem relação com ele, foi de US$ 0,60 a US$ 38,70 em três pregões.

O que o caso ensina

  1. O engano cai em quem tem o nome parecido. Na bolsa, a procura pelo aplicativo virou compra da ação errada. Na busca do Google e na cobertura de imprensa, uma notícia sobre outra empresa com o mesmo nome também pode cair na sua marca, a boa e a ruim.
  2. A confusão anda mais rápido do que a correção. A FINRA alertou as corretoras em 20 de março, e a SEC agiu cinco dias depois, quando a alta já tinha acontecido.
  3. Quem mede a marca precisa separar o homônimo. Na cobertura de imprensa, a matéria sobre outra empresa com o mesmo nome entra na busca, infla a contagem e mexe no saldo entre positivas e negativas.

O Knewin AI é um assistente de IA para comunicação que responde por chat e mede a cobertura de imprensa da marca na base de mídia da Knewin. Ele pode ler se cada matéria fala da marca, quando decide conferir ou quando você pede, e as que não falam deixam de pesar no saldo entre positivas e negativas. A leitura deixa passar parte dos homônimos, e tirar uma matéria da base é decisão sua (Homônimo: a matéria que não fala de você). Os casos do Tylenol e da Salomon Brothers mostram o que duas empresas fizeram durante uma crise; este mostra a atenção que era de uma empresa indo parar em outra, pelo nome.

Fontes